quinta-feira, 20 de setembro de 2012

The Character


He rolls himself up to a snail shape
And he unrolls his confused thoughts of why
When he thinks he found it inside of him
All he can see is an obtuse lyrical I

He discovers the role that he assumes
Presents and represents all life long
And when he doesnt fit in the melody he already chose
He quickly turns off the distorted tuneless song

The man behind the costumes melts inside of it
But the actor half snail never thinks of leaving him

So what's left in himself is makeup
Maybe all that he made up
Is now spreaded and twisted on the floor

He reminds that he is the character carrying its own knife
And the stage where he plays is the life
It cuts and it hurts but never mind: he is alive
And life itself is the best suicide

“In the circle of light on the stage in the midst of darkness, you have the sensation of being entirely alone... This is called solitude in public... During a performance, before an audience of thousands, you can always enclose yourself in this circle, like a snail in its shell... You can carry it wherever you go.” ― Constantin StanislavskiAn Actor Prepares


Tradução Adaptada:
A personagem

Ele enrola a si mesmo em formato caracol
E desenrola seu pensamento de "por que?", confuso
Quando pensa que encontrou dentro de si
Tudo o que pode ver é um eu-lírico obtuso

Ele descobre o papel que assume
Apresenta e representa toda a vida
E quando não se encaixa na melodia que escolheu
Rapidamente desliga a música desafinada e distorcida

Derrete o homem por trás do figurino
Mas o ator meio caracol nunca pensa em deixá-lo

O que sobra em si é uma miragem
Talvez tudo o que inventou, sua maquiagem
Está agora, no chão, espalhada e retorcida
Lembra-se que é o ator carregando a própria faca
E o palco em que encena é a vida

Ela corta e dói, mas não importa: ele está vivo
E a vida, em si mesma, é o melhor suicídio

“No círculo de luz sobre o palco no meio da escuridão, você tem a sensação de estar completamente sozinho... Isso se chama solidão em público... Durante uma performance, diante de uma audiência de milhares, você sempre pode fechar-se nesse círculo, como um caracol em sua concha... Você pode levar isso aonde quer que você vá.”  Constantin StanislavskiA Preparação do Ator

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Remetente: melhor amiga


Ela é a minha melhor!
Melhor amiga, melhor comediante, melhor conselheira, melhor calma pros meus momentos desesperados.
É meu outro lado da balança. Necessária pra me manter estável, sã e com cara de quem nasceu assim.
É meu diário falado,
 meu saquinho de papel. 
A mão branquela com dedos gordinhos que me segura, me apoia, me bate e me faz cafuné. Porque também tem que ter carinho, né?
Também que ter o entender o fluxo rápido de palavras que nem eu mesma entendo, tem que entender o silêncio. Menos entender olhares porque isso aí é impossível!!! Já tentei treinar essa criatura, mas a lerdeza impera. E o amor também. (Me deixe ser fofa!) 
O reflexo no espelho. Completamente igual mas completamente diferente. Presente nos piores e melhores momentos da minha vida. Se não presencial, psicologicamente. E você sabe exatamente do que eu estou falando! Ou não, porque, como eu falei, a lerdeza impera kkkkkkkk =X
Eu te amo, Carla. E todas as que você se (re)fez. 
É minha irmã. De verdade. Minha Carlete!

Feliz ano novo! *-*

"Enquanto houver você do outro lado...
Aqui do outro, eu consigo me orientar!"

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Autocombustão

Eu poderia começar a escrever dizendo que não sei bem o que me atingiu, mas não seria bem verdade. Foi você o que me atingiu e eu sei disso com toda essa certeza errada que me provoca autocombustão ao lembrar do seu sorriso. Aliás, acho que não é bem o sorriso. Acho que foi o olhar que me passou segurança. E o que é segurança pra uma pessoa perdidona dentro de si mesma, senão migalhas caindo da mesa?
Foi você que atingiu a boca do meu estômago com um soco de simpatia e aquela solicitude padrão que te faz tão britânico quanto qualquer inglês em qualquer filme. Olha, um gentleman. Olha, que droga, agora esse texto não pode mais ser abstrato por que, de repente, te personifiquei. Dei nome às personagens e, como evito fazer, te arrastei vivinho para o centro da festa. Para o meio do texto.
Não fui discreta como tenho que ser, não fui compreensiva como finjo entender. É, acabou que, no final das contas, vomitei seu endereço, vomitei você. Ah, o inglês? Eu já sei quem é. É aquele sotaque que atingiu meu cérebro quase como uma condenação. E eu fico sozinha me certificando de que não estou apaixonada por que se ele tanto fala, eu não entendo uma palavra e odeio tanto assim, só pode ser paixão. O que mais se encaixaria nos sintomas "ódio" e "confusão"? 
Meio Alice atrás do coelho, encolho e cresço enquanto me perco. Estou longe de achar uma saída. O extintor de incêndio mais próximo fica na outra esquina. A porta de emergência está longe demais e eu, num país de sonhos, em autocombustão. Pegando fogo por dentro, mas em silêncio. Quem olha de fora só me vê apontando pra fé e remando com um sorriso na cara, mas o texto te defraudando mostra que não sou tão  Alice assim. Não tão atriz e nem a melhor de todos na arte de fingir. É que estou queimando por dentro e ninguém vê! E, se vê, me julga. E, se me julga, não percebe o desespero que é estar debaixo da mesa catando migalhas. Lambendo o chão. Fingindo acreditar que quem mente sou eu. Que a rainha de copas sou eu.
Sou aquela imperfeita, bem-intencionada que muda de opinião quase sem culpa. Quase. E que fica rindo de si mesma e pensando que, sinceramente, eu não estou apaixonada nada. Eu estou é louca! E a única solução para a minha loucura em chamas é ser aquela que incendeia a sua chuva. Que molha-queima o seu sorriso tonto e o seu olhar de bom moço. O mesmo olhar que, em silêncio, me ateia fogo por dentro.


Intertextualidade com: Set Fire to the Rain - Adele; Feliz por Nada - Martha Medeiros; Dois Barcos - Los Hermanos

"Em uma outra vida, eu seria sua garota
Nós manteríamos todas as nossas promessas,
Seriamos nós contra o mundo
Em uma outra vida, eu faria você ficar"



terça-feira, 4 de setembro de 2012

Um Setembro Solitário


Sentado aqui completamente sozinho
Apenas tentando pensar em algo para fazer
Tentando pensar em alguma coisa, qualquer coisa
Apenas para me impedir de pensar em você
Mas você sabe que não está funcionando
Porque você é tudo que está em minha mente
Um pensamento sobre você é o suficiente
Para deixar o resto do mundo para trás

Bom, eu não pretendia que fosse tão longe como foi
E eu não pretendia me aproximar tanto e dividir o que nós dividimos
E eu não pretendia me apaixonar, mas me apaixonei
E você não pretendia corresponder, mas eu sei que correspondeu

Estou Sentado aqui, tentando me convencer
Que você não é a pessoa certa para mim
Mas quanto mais eu penso, menos eu acredito
E mais eu quero você aqui comigo

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Paraquedas meio suicida

Eu poderia escrever um texto sobre o cara que pixou o meu coração à facadas, mas as marcas falam mais que os meus gritos. É bem provável que a minha intenção seja escrever sobre aquele amigo por quem sou quase apaixonada e que, por um acidente de percurso, me conheceu anos depois da sua própria namorada, mas esqueço que textos sempre parecem ser mais do que são. E não estou apaixonada. Só quase.
Poderia escrever sobre uma amiga que esqueceu de responder minhas mensagens, mas a minha cota de drama estouraria os seus tímpanos.
Talvez eu devesse escrever sobre o menino proibido que espreme pimenta em algum lugar dentro de mim e, todos os dias, me contorço inteira. Menino que me arde por dentro e arranca verdades como um dente siso da alma sendo puxado com dor, mas por uma boa causa. Abrindo espaço na boca pra organizar meu sorriso e os sabores novos que ainda não conheci. Porque estar junto dele é um paraquedas. Meio suicida, meio me fazendo sentir viva.
Então lembro que não posso falar do proibido sem sentir uma pontada de culpa. É que abri o meu coração riscado para um outro bandido com canetas na mão e ele não fez questão nenhuma de esconder seus motivos. Também não fiz questão nenhuma de esconder os meus gritos.
Que encontre as partes intocadas nas paredes. Que a culpa me consuma. E que, por dentro da pimenta, ainda seja doce.


"Teus lábios são labirintos
Que atraem os meus instintos mais sacanas
E o teu olhar sempre me engana
É o fim do mundo todo dia da semana"

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mil pedaços


Levanto perdida em memórias e me arrumo tantas vezes que o espelho condena silenciosamente a minha vaidade. Visto o meu pescoço em colar e, por dentro do reflexo, perco as contas das lembranças no espelho. É aí então que o fecho se rompe. O colar se rompe e, no fundo de mim, alguma outra coisa espalha contas pelo chão. É o barulho dos meus mil pedaços ecoando pela casa. É a certeza finalmente trazendo um pouco mais de alma. Se o colar se parte, se tudo nele espalha, não há colar que se refaça. Me perdi aos poucos, mas não perdi inteira. Ainda posso juntar contas e começar do zero. Talvez um colar novo me vista sem memórias.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Eu devo estar triste, senão estou louca


Estou dizendo que estou triste, mas nem eu mesma acredito. Parece que não faz sentido, mas faz. Porque não estou parecendo triste. Estou é fazendo umas coisas bem tristes tipo ficar em casa vendo comédia romântica e desejando dormir, dormir, dormir até afundar na cama. Marquei com uma amiga de passarmos a tarde juntas hoje e ela não veio. E fiquei agradecendo já que daí eu podia dormir mais.

Mas de manhã cedo, quando eu tive que sair pra levar as fotos do ensaio na gráfica, eu estava assoviando no onibus, lendo O diário da princesa pela segunda vez - e você sabe que eu nunca leio nada pela segunda vez -, ouvindo músicas alegres e sorrindo para o motorista.

Meu amigo me perguntou cadê aquele menino que eu ficava falando na webcam enquanto estava na faculdade, eu abanei a mão e disse "ah, sabe que eu não sei?  A gente parou de se falar e eu to triste". Daí ele me disse que eu fico triste de um jeito estranho e eu respondi assim, bem vaga, algo como:  "sim, gosto dele há quase quatro anos... To bem triste. Na verdade, to péssima"

Meu amigo olhou pra mim e riu. Ficou rindo porque eu obviamente não estava triste. Ninguém que está péssima fica saltitando na rua, abraçando colegas gays da faculdade, dividindo Mendoratos e pegando panfletos porque "coitadas dessas meninas que ficam em pé o dia todo distribuindo essas coisas que todos jogam no lixo". Ninguém que está péssima diz que está bem triste. Mas eu estou triste. E quero dormir para sempre até afundar na cama.

Também estou cansada de ficar me lamentando. Outro dia fiquei lamentando para outro amigo. "Poxa, que droga que ele não me ama". Tem lamentação mais idiota? Sei lá, fiquei me achando idiota. Não tenho nem o que lamentar sem achar que eu mesma estou sendo idiota. Já me queixei por tantas coisas diferentes, por tudo o que tinha para me queixar.

Eu fiz tudo errado da primeira vez e não deu certo. Eu fiz tudo certo da segunda vez e não deu certo de novo. Não tenho mais opções. A minha opção é ficar triste sozinha, sem ter que forçar isso nas pessoas. Por que eu simplesmente não sei traduzir isso. Essa sensação de que estou dando ctrl+v na minha própria tristeza.

"Ah, droga, eu já senti isso antes" ou "Ah, droga, não tenho ele no meu facebook, mas espera... eu também não tinha seis meses atrás". Enfim, é só copiar e colar que você vai perceber que está tudo igual. Só que agora sem esperanças, então acho que essa é uma tristeza mais desesperada que as outras. Só que desesperada e quieta, por que a voz que eu tinha pra gritar foi embora na oitava ou nona tristeza.

E também tem outra coisa estranha: eu estou feliz em todo o resto!

Isso, essa coisa, esse lugar dele que não é mais dele, que é pra ele sair e eu estou tentando expulsar falando até com Deus agora. Isso está triste, machucando, doendo e tal, mas há outras mil coisas felizes, mil coisas que me dão uma vontade enorme de brigar comigo mesma e dizer "Pára, Carla, você não tem esse direito, ele não é seu!  Não aja como uma criança mimada que acabou de perder o seu brinquedinho. Acorda, Carla, ele foi embora há meses!"

E daí eu digo! Digo isso para mim mesma e não adianta nada porque eu só fico mais triste. E as outras coisas felizes são ainda mais felizes quando eu estou triste. Dentro de mim mesma são coisas demais sendo tão diferentes que me sinto quase culpada.  Tanto pela tristeza quanto pela alegria. Não posso ser feliz perdendo o cara que eu amei por quatro anos... Não posso ser triste só por perder um cara que nunca me amou durante quatro anos.

Aí eu fico calada por que não sei o que dizer. Sinceramente eu devo estar triste, senão estou louca.

Né?

"Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome." - Tati Bernardi