terça-feira, 4 de setembro de 2012

Um Setembro Solitário


Sentado aqui completamente sozinho
Apenas tentando pensar em algo para fazer
Tentando pensar em alguma coisa, qualquer coisa
Apenas para me impedir de pensar em você
Mas você sabe que não está funcionando
Porque você é tudo que está em minha mente
Um pensamento sobre você é o suficiente
Para deixar o resto do mundo para trás

Bom, eu não pretendia que fosse tão longe como foi
E eu não pretendia me aproximar tanto e dividir o que nós dividimos
E eu não pretendia me apaixonar, mas me apaixonei
E você não pretendia corresponder, mas eu sei que correspondeu

Estou Sentado aqui, tentando me convencer
Que você não é a pessoa certa para mim
Mas quanto mais eu penso, menos eu acredito
E mais eu quero você aqui comigo

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Paraquedas meio suicida

Eu poderia escrever um texto sobre o cara que pixou o meu coração à facadas, mas as marcas falam mais que os meus gritos. É bem provável que a minha intenção seja escrever sobre aquele amigo por quem sou quase apaixonada e que, por um acidente de percurso, me conheceu anos depois da sua própria namorada, mas esqueço que textos sempre parecem ser mais do que são. E não estou apaixonada. Só quase.
Poderia escrever sobre uma amiga que esqueceu de responder minhas mensagens, mas a minha cota de drama estouraria os seus tímpanos.
Talvez eu devesse escrever sobre o menino proibido que espreme pimenta em algum lugar dentro de mim e, todos os dias, me contorço inteira. Menino que me arde por dentro e arranca verdades como um dente siso da alma sendo puxado com dor, mas por uma boa causa. Abrindo espaço na boca pra organizar meu sorriso e os sabores novos que ainda não conheci. Porque estar junto dele é um paraquedas. Meio suicida, meio me fazendo sentir viva.
Então lembro que não posso falar do proibido sem sentir uma pontada de culpa. É que abri o meu coração riscado para um outro bandido com canetas na mão e ele não fez questão nenhuma de esconder seus motivos. Também não fiz questão nenhuma de esconder os meus gritos.
Que encontre as partes intocadas nas paredes. Que a culpa me consuma. E que, por dentro da pimenta, ainda seja doce.


"Teus lábios são labirintos
Que atraem os meus instintos mais sacanas
E o teu olhar sempre me engana
É o fim do mundo todo dia da semana"

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mil pedaços


Levanto perdida em memórias e me arrumo tantas vezes que o espelho condena silenciosamente a minha vaidade. Visto o meu pescoço em colar e, por dentro do reflexo, perco as contas das lembranças no espelho. É aí então que o fecho se rompe. O colar se rompe e, no fundo de mim, alguma outra coisa espalha contas pelo chão. É o barulho dos meus mil pedaços ecoando pela casa. É a certeza finalmente trazendo um pouco mais de alma. Se o colar se parte, se tudo nele espalha, não há colar que se refaça. Me perdi aos poucos, mas não perdi inteira. Ainda posso juntar contas e começar do zero. Talvez um colar novo me vista sem memórias.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Eu devo estar triste, senão estou louca


Estou dizendo que estou triste, mas nem eu mesma acredito. Parece que não faz sentido, mas faz. Porque não estou parecendo triste. Estou é fazendo umas coisas bem tristes tipo ficar em casa vendo comédia romântica e desejando dormir, dormir, dormir até afundar na cama. Marquei com uma amiga de passarmos a tarde juntas hoje e ela não veio. E fiquei agradecendo já que daí eu podia dormir mais.

Mas de manhã cedo, quando eu tive que sair pra levar as fotos do ensaio na gráfica, eu estava assoviando no onibus, lendo O diário da princesa pela segunda vez - e você sabe que eu nunca leio nada pela segunda vez -, ouvindo músicas alegres e sorrindo para o motorista.

Meu amigo me perguntou cadê aquele menino que eu ficava falando na webcam enquanto estava na faculdade, eu abanei a mão e disse "ah, sabe que eu não sei?  A gente parou de se falar e eu to triste". Daí ele me disse que eu fico triste de um jeito estranho e eu respondi assim, bem vaga, algo como:  "sim, gosto dele há quase quatro anos... To bem triste. Na verdade, to péssima"

Meu amigo olhou pra mim e riu. Ficou rindo porque eu obviamente não estava triste. Ninguém que está péssima fica saltitando na rua, abraçando colegas gays da faculdade, dividindo Mendoratos e pegando panfletos porque "coitadas dessas meninas que ficam em pé o dia todo distribuindo essas coisas que todos jogam no lixo". Ninguém que está péssima diz que está bem triste. Mas eu estou triste. E quero dormir para sempre até afundar na cama.

Também estou cansada de ficar me lamentando. Outro dia fiquei lamentando para outro amigo. "Poxa, que droga que ele não me ama". Tem lamentação mais idiota? Sei lá, fiquei me achando idiota. Não tenho nem o que lamentar sem achar que eu mesma estou sendo idiota. Já me queixei por tantas coisas diferentes, por tudo o que tinha para me queixar.

Eu fiz tudo errado da primeira vez e não deu certo. Eu fiz tudo certo da segunda vez e não deu certo de novo. Não tenho mais opções. A minha opção é ficar triste sozinha, sem ter que forçar isso nas pessoas. Por que eu simplesmente não sei traduzir isso. Essa sensação de que estou dando ctrl+v na minha própria tristeza.

"Ah, droga, eu já senti isso antes" ou "Ah, droga, não tenho ele no meu facebook, mas espera... eu também não tinha seis meses atrás". Enfim, é só copiar e colar que você vai perceber que está tudo igual. Só que agora sem esperanças, então acho que essa é uma tristeza mais desesperada que as outras. Só que desesperada e quieta, por que a voz que eu tinha pra gritar foi embora na oitava ou nona tristeza.

E também tem outra coisa estranha: eu estou feliz em todo o resto!

Isso, essa coisa, esse lugar dele que não é mais dele, que é pra ele sair e eu estou tentando expulsar falando até com Deus agora. Isso está triste, machucando, doendo e tal, mas há outras mil coisas felizes, mil coisas que me dão uma vontade enorme de brigar comigo mesma e dizer "Pára, Carla, você não tem esse direito, ele não é seu!  Não aja como uma criança mimada que acabou de perder o seu brinquedinho. Acorda, Carla, ele foi embora há meses!"

E daí eu digo! Digo isso para mim mesma e não adianta nada porque eu só fico mais triste. E as outras coisas felizes são ainda mais felizes quando eu estou triste. Dentro de mim mesma são coisas demais sendo tão diferentes que me sinto quase culpada.  Tanto pela tristeza quanto pela alegria. Não posso ser feliz perdendo o cara que eu amei por quatro anos... Não posso ser triste só por perder um cara que nunca me amou durante quatro anos.

Aí eu fico calada por que não sei o que dizer. Sinceramente eu devo estar triste, senão estou louca.

Né?

"Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome." - Tati Bernardi

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Não importa

"Mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim" - Caio Fernando Abreu

terça-feira, 12 de junho de 2012

Consultório Sinistro


Queria ter inspiração hoje para escrever algo bonito, mas, ao invés disso, resolvi apenas escrever. Por que não sei mais o que fazer e, entre chorar e orar pedindo uma coisa que nem sei o quê, escrever me pareceu razoável. Afinal, nada me impede de escrever pra Deus. Como também nada me impede de fazer das letras as minhas lágrimas e das verdades no papel o meu soluço.

Vivo alardeando o meu cansaço, meu desespero ou a minha esperança amalucada. Vivo sorrindo por dentro e por fora e depois me arrependendo do que não sofri e sofrendo mais um pouco pelo que já vivi. Trazendo meu passado à tona como se ele não pudesse descansar em paz por que morreu de repente. Transformando meu passado em alma penada e o obrigando a me assombrar de TPM em TPM.

Há um nome correndo por meus dedos. Escorre da caneta em forma de menino. Seja de joelhos enquanto converso com o Altíssimo, seja sentada enquanto falo de amor, seja deitada na grama sussurrando pras estrelas, seja de pé na autoescola esperando a minha vez de conferir a digital no corredor. O nome dele corre por meus dentes, passeia por minha língua, beija os meus lábios e escapa. Escapa sem pressa e, às vezes, escondido. Se eu me distraio um segundo, repito, repito “...”.

Aí é que entra a minha chance de inventar mil razões, decifrar os motivos e tentar me convencer, com a ajuda de todas as amigas e amigos, de que ele não volta. Não houve amor, nada mais dará certo, isso é tudo ilusão. Não pode haver um “senão”, senão eu morro de esperança amalucada.  Sufocada de paixão. Desesperada.

Contando os dias, contando as horas pra vê-lo novamente e sem palavra nenhuma na mente que ensaie esse momento cômico. Por que a única palavra que os meus lábios sabem dizer é o nome dele e conversa nenhuma se sustenta num nome. A única imagem que minha cabeça sabe pensar é de um “ele” tão distante que nem sei mais se há. Ah, que se dane! Ainda faço questão de tudo e nem sei que tudo é esse que tanto me consome.

Deus me manda esperar, minha amiga me manda esperar, ele me deixa esperando sem trazer nem uma revista que eu possa folhear. Estou num consultório sinistro e os quadros da parede são quadros-fantasma. Com as pinturas renascentistas do meu passado-alma-penada. Comigo ainda esperando, já meio desesperada. Sufocada de paixão. Amalucada.

Nem sei mais o que preciso fazer, mas entre chorar e orar pedindo uma coisa que nem sei o quê, hoje me pareceu razoável escrever.