"Mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim" - Caio Fernando Abreu
segunda-feira, 18 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
Consultório Sinistro
Queria ter inspiração hoje para escrever algo bonito, mas,
ao invés disso, resolvi apenas escrever. Por que não sei mais o que fazer e,
entre chorar e orar pedindo uma coisa que nem sei o quê, escrever me pareceu
razoável. Afinal, nada me impede de escrever pra Deus. Como também nada me
impede de fazer das letras as minhas lágrimas e das verdades no papel o meu
soluço.
Vivo alardeando o meu cansaço, meu desespero ou a minha
esperança amalucada. Vivo sorrindo por dentro e por fora e depois me
arrependendo do que não sofri e sofrendo mais um pouco pelo que já vivi.
Trazendo meu passado à tona como se ele não pudesse descansar em paz por que
morreu de repente. Transformando meu passado em alma penada e o obrigando a me
assombrar de TPM em TPM.
Há um nome correndo por meus dedos. Escorre da caneta em
forma de menino. Seja de joelhos enquanto converso com o Altíssimo, seja
sentada enquanto falo de amor, seja deitada na grama sussurrando pras estrelas,
seja de pé na autoescola esperando a minha vez de conferir a digital no
corredor. O nome dele corre por meus dentes, passeia por minha língua, beija os
meus lábios e escapa. Escapa sem pressa e, às vezes, escondido. Se eu me
distraio um segundo, repito, repito “...”.
Aí é que entra a minha chance de inventar mil razões,
decifrar os motivos e tentar me convencer, com a ajuda de todas as amigas e
amigos, de que ele não volta. Não houve amor, nada mais dará certo, isso é tudo
ilusão. Não pode haver um “senão”, senão eu morro de esperança amalucada. Sufocada de paixão. Desesperada.
Contando os dias, contando as horas pra vê-lo novamente e
sem palavra nenhuma na mente que ensaie esse momento cômico. Por que a única
palavra que os meus lábios sabem dizer é o nome dele e conversa nenhuma se sustenta
num nome. A única imagem que minha cabeça sabe pensar é de um “ele” tão
distante que nem sei mais se há. Ah, que se dane! Ainda faço questão de tudo e
nem sei que tudo é esse que tanto me consome.
Deus me manda esperar, minha amiga me manda esperar, ele me
deixa esperando sem trazer nem uma revista que eu possa folhear. Estou num
consultório sinistro e os quadros da parede são quadros-fantasma. Com as
pinturas renascentistas do meu passado-alma-penada. Comigo ainda esperando, já
meio desesperada. Sufocada de paixão. Amalucada.
Nem sei mais o que preciso fazer, mas entre chorar e orar
pedindo uma coisa que nem sei o quê, hoje me pareceu razoável escrever.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Carnaval
Todos os meus poros estão aflitos. Meu suor abraçando sua cintura com as pernas e o ranger da cama, dos dentes, da alma. Barulho infinito misturando as cores de uma aquarela imiscível. Invisível a tensão que me envolve pelos erros, mas as mãos e os seus pecados me puxam os cabelos e eu sempre volto meio para os seus braços, meio para essa taça de desejo puro que derrama só um gole em minha pele quente.
Todas as cobertas estão aflitas. Não sabem se me cobrem ou observam você me descobrir em beijos, línguas e gemidos que são quase lamentos pela minha entrega. Porque não escondo nenhum pedaço. Em pelo, luxúria e murmúrios, eu sou a pele que o seu dente esmaga. Sou a perna que o seu lábio encontra. Sou o nome que a sua boca suspira. É o meu espírito indo dar uma volta porque a festa da noite é por conta da carne. Só por hoje, entre nós, é carnaval.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Beijo em prostituta
E eu vou te escrever uma surpresa. Porque cada um faz o que sabe e o que sei se embrulha em letras. O meu presente pra você é meio desordenado, mas, com palavras todas loucas, esse texto é todo seu. Um texto que é beijo em prostituta. Beijo na boca. Já que grita, mais que o sexo, uma intimidade louca. Um beijo que é prece por alguém que foi embora e assim desvenda o interno de um outro que não vejo. E eu sei que não te vejo, mas, ainda assim, te escrevo. Espremendo as linhas com as duas mãos, abrindo caminho em quem sou e fui para te ter mais perto um pouco do que quero ser. É que eu vou te escrever uma surpresa. Nesse texto, brincando em letras, te ofereço tudo de mim. Em meio prosa, meio poesia (e se eu pudesse até cantar, eu cantaria), o meu jeito de dizer que amo é esse aqui.
Palavras mal ditas
Mariana, Ana e o mar
Leveza, certeza e beleza de fim de tarde
Meio fada de si, meio serva por dentro
Nessa tarde ela é toda silêncio.
Nessa tarde é só Ana e o mar e, ao pôr-do-sol, ela é Mariana
A palavra mal dita fazendo carinho em seus cachos negros
Não nega a felicidade, não evita o desapego
Um pouco de sangue em versos
Mais azul que vermelho
Mar e onda, sem vento
Ana e mar, Mariana é toda silêncio.
Não posso ir
Eu estou aqui
E sou aqui
Enquanto você vai
Sempre em meus sonhos é você que sai
Estou presa nesse presente infinito
E quando sua mão me acena indo embora
Eu é que sempre fico
E simplifico dizendo que não posso ir
Porque não apenas estou aqui
Eu sou aqui
Enquanto você vai
E sua pressa é esse trem saindo às nove horas
A sua urgência devorando a minha demora
E hoje que o passado é só memória
Estou presa nesse presente infinito
É que você não se atrasou nem um minuto
E eu fiquei pra trás com o seu sorriso
Então a sua mão que me acena indo embora
Sussura, contra o vento, em meus ouvidos:
"Também estou aqui
E, enquanto não me deixar ir, eu fico."
E sou aqui
Enquanto você vai
Sempre em meus sonhos é você que sai
Estou presa nesse presente infinito
E quando sua mão me acena indo embora
Eu é que sempre fico
E simplifico dizendo que não posso ir
Porque não apenas estou aqui
Eu sou aqui
Enquanto você vai
E sua pressa é esse trem saindo às nove horas
A sua urgência devorando a minha demora
E hoje que o passado é só memória
Estou presa nesse presente infinito
É que você não se atrasou nem um minuto
E eu fiquei pra trás com o seu sorriso
Então a sua mão que me acena indo embora
Sussura, contra o vento, em meus ouvidos:
"Também estou aqui
E, enquanto não me deixar ir, eu fico."
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