terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Pássaro no dedo
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Batata Gratinada
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Relacionamentos em Polaroid
Um dia desses eu estava reparando nos casais de namorados que conheço. Muito sérios, muito imaturos ou muito chatos. Às vezes conseguem ser as três coisas juntas, não raro. Fiquei pensando que relacionamentos são como uma fotografia. O momento que você vive, as coisas que você pensa e o sorriso que você dá na hora em que o flash te cega são coisas que só você vai saber. Você e as outras pessoas que também foram fotografadas. Quem olhar de fora, quem observar depois, nunca vai entender exatamente o que se passou e a razão da mancha no vestido, do sorriso meio torto, das mãos suadas e entrelaçadas. Todos os detalhes são uma mera questão de estar do lado de lá. Ou, quem sabe, do lado de cá da foto. Assim são os namoros, noivados, casamentos e todas as outras instituições (falidas ou não) que a sociedade construiu ao longo do tempo. Quem vier espiar de fora, sinto muito, entenderá muito pouco e palpitará do jeito errado. A não ser que tenha muita sorte ou que já tenha entrelaçado as mãos suadas daquele mesmo jeito em uma fotografia anterior. Os momentos passam, mas as fotos sempre vão ficar guardadas em algum lugar até serem reencontradas. Elas podem não fazer sentido para mais ninguém, mas sempre vão fazer sentido para quem sorria nelas.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Mais uma dela
Consegui juntar algo que me parece uma verdade coerente.
Parece ate fácil agora fazer tais afirmações.
Tudo bem que seja assim.
(Eu costumava pensar que a sua inventava coisas para mim também.)
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Moída
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Recusa
"...e tudo que eu andava eu nao queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu nao quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era." - Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Buracos na cerca
Ele era do tipo que adorava um adjetivo. Bem pronome relativo e, apesar de sujeito simples, pouco previsível. Nada que fosse como os outros se encaixava em sua oposição. Conjunto de dissemelhanças. Conjunção adversativa. Ele me sorria em momentos de pouco sol e o brilho dos seus olhos me fazia querer rir. Era qualquer coisa de desconhecido e eu me apaixonando pelo mistério por trás do homem. Nenhuma indicação funcionava, nenhuma preposição se encaixava. Ele era um ponto de interrogação com ênfase. Ele era dois pontos de exclamação. Fui me enredando nas reticências e procurando o fundo do poço escuro. Tive medo, tive mãos para me apoiar na descida, tive curiosidade. Mas quanto maior a busca, maior o índice de indeterminação do sujeito.
Até um dia.Em que desisti de descer e ele fechou para mim os seus lugares escuros. Acendeu a luz no raso e eu pude enxergar. Não há mais mistério que galgar, não há coisa alguma para desvendar. Estou de pés molhados e disposta a descer outra vez, mas fechou-se o fundo do poço. As mãos continuam estendidas, agora frias, agora vazias. E, apesar delas, me sinto sozinha. Agora intransitiva, sem complemento.
"Perder o vazio é empobrecer." - Ana Carolina


