quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Moída
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Recusa
"...e tudo que eu andava eu nao queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu nao quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era." - Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Buracos na cerca
Ele era do tipo que adorava um adjetivo. Bem pronome relativo e, apesar de sujeito simples, pouco previsível. Nada que fosse como os outros se encaixava em sua oposição. Conjunto de dissemelhanças. Conjunção adversativa. Ele me sorria em momentos de pouco sol e o brilho dos seus olhos me fazia querer rir. Era qualquer coisa de desconhecido e eu me apaixonando pelo mistério por trás do homem. Nenhuma indicação funcionava, nenhuma preposição se encaixava. Ele era um ponto de interrogação com ênfase. Ele era dois pontos de exclamação. Fui me enredando nas reticências e procurando o fundo do poço escuro. Tive medo, tive mãos para me apoiar na descida, tive curiosidade. Mas quanto maior a busca, maior o índice de indeterminação do sujeito.
Até um dia.Em que desisti de descer e ele fechou para mim os seus lugares escuros. Acendeu a luz no raso e eu pude enxergar. Não há mais mistério que galgar, não há coisa alguma para desvendar. Estou de pés molhados e disposta a descer outra vez, mas fechou-se o fundo do poço. As mãos continuam estendidas, agora frias, agora vazias. E, apesar delas, me sinto sozinha. Agora intransitiva, sem complemento.
"Perder o vazio é empobrecer." - Ana Carolina
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
É tempo de respirar
Chega de sucumbir minha vontade! Erga-se por instantes... não há controle dessa tal “maluquice” misturada com “lucidez”... mas eu não vou ficar com certeza “maluca beleza”, quero insistir um pouco mais. E, por favor, quando eu abrir os braços, ao meu ver, não dê à toa um sorriso. Não sou só um negro lindo: sou luta, insistência, paciência, orgulho; sou constantes e inacabadas vitórias. Não ame a minha raça, não ame a minha cor; respeite o ser humano que sou, respeite a humanidade que somos. Reconheça sim, ao me ver passar, a paciência e a força que me animou e não me dizimou, que me trouxe aqui, eu estou aqui! Eu concluiria essas palavras se pudesse concluir uma razão exata para o desrespeito. E como não posso, permaneço vivendo dias imaculados aguardando o “neoamanhecer”. Meu balão de oxigênio está quase vazio, mas eu não desisti de expirar. Vamos revisionar nossas apatias; podemos sacudir o viver, podemos existir...
É tempo de respirar!
domingo, 29 de agosto de 2010
Prateleiras
Felicidade demais me dá medo. Parece que sempre que alguém está feliz a ponto de explodir... Explode. Cacos de alegria caindo na cabeça de todos e nada de sorrisos sobrando. Toda a vida que se esconde por trás de olhos apertados é aprisionada além da compreensão dos fatos. Mudanças me assustam. Mesmo que sejam necessárias, mesmo que sejam pensadas e analisadas com frieza. Mudanças me enervam. Dá vontade de colocar tudo em seu lugar outra vez e organizar certezas em minhas prateleiras internas. Arrumar meus livros de vivências em ordem alfabética. É que sou inconstante mesmo. Quero sair pulando na rua, quero ficar sozinha, quero alguém me escutando e desejo que me deixem em paz. Hoje acordei indiferente. Desejando que todo o seu orgulho e frieza engasguem-se em sua garganta apertada. Que sufoque dentro da sua própria altivez. Gosto do morno e sou sempre quente demais para mim. Cansei do seu gelo por hoje. Cansei de você por hoje. Mas isso passa, não passa?
"Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas, mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz"
sábado, 28 de agosto de 2010
Be a child
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Tudo bem
Não está tudo bem. E parem de perguntar se está. Parem de olhar para mim com esses olhares de pena. Me deixem em paz! Não preciso de ninguém me esperando o que fazer ou espreitando o meu sentir como se tudo dependesse de um sorriso meu. Falso sorriso meu. Não, não está tudo bem. E dane-se o que você mastiga quando quer cuspir doce. Eu estou cuspindo tudo o que há por dentro e é amargo o suficiente para não estar nada bem. Voltem às suas vidas, voltem às suas flores, seus livros, seus não-amores e me deixem sofrer. Sinceramente? Me deixem sofrer!

