Olhos vermelhos buscando em todas as direções até nos encontrar.
Gosma preta escorrendo lentamente de um peito fechado que pára calmamente de pulsar.
Desejos malditos e benditos se misturando lentamente à vontade de dançar.
Dançando calmamente nas ruas vazias de uma cidade que parou de viver pra, em silêncio, observar.
Sorrimos felizes com a sensação de medo anestesiada.
Recupero os meus sentidos por um momento e estou aterrorizada.
Fecham-se as janelas e a cidade parece sepultada.
Num silêncio que faz eco à tragédia esperada.
Você me puxa pela mão sem lampejo algum de consciência.
Eu vou seguindo a estrada contigo num estado mudo de dormência.
Meus sentimentos em conflito até que eu perca a paciência.
Caminho feliz pra o dragão e seus olhos cheios de malevolência.
Como quem não sabe o que faz, você anda até tocá-lo.
Puxa a minha mão e me faz acariciá-lo.
Quero correr, quero gritar, mas é bom ficar perto e abraçá-lo.
Até o dragão nos perceber com seus olhos vermelhos inflamados.
Viro o rosto até o dele e o percebo nos observar.
Meu coração agora entende que esse é o fim de tudo o que há pra se falar.
Você também sai do transe e me olha como quem deseja suplicar,
mas eu suspiro, decidida, sabendo que uma hora isso teria que acabar.
Fecho os olhos sem mais te ver e deixo, em silêncio, o dragão me devorar.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
O Pacto
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Outra carta
Hoje me deu medo de novo, mas, ao contrário da outra carta, nao vim falar de medo. Vim falar de amor. Dessa coisa maravilhosa que eu permiti acontecer na minha vida, que você permitiu acontecer na sua vida, que somos um pro outro. Amantes. No sentido menos carnal da palavra. No sentido mais verbal da palavra. No sentido literal. Amantes como duas pessoas igualmente diferentes que se amam. Eu sei lá, adoro nossos planos. Adoro você me imaginando de vestido e All Star, adoro o "eu te amo" no fim de cada conversa, de cada mensagem. Não pra lembrar de uma coisa que jamais poderia ser esquecida, mas pra reafirmar um querer que escapa do coração e corre pra a boca, pros dedos, pros olhos. Meu olhos são só o brilho desse sentir fascinante. Estou extaziada pela sensação vibrante de ter alguém que me ame, alguém que se importe, um futuro juntos tão distante quanto São Paulo da Bahia. Que merda de duas horinhas! Você não é certeza minha, mas é uma dúvida gostosa do que vem no decorrer do dia, é serenidade, é brincadeira, é você e isso é tanto! Ah, eu te amo. Esse era o intuito da carta. Deixar gravado que hoje, Vinícius, hoje eu te amei ainda mais que ontem. Mesmo quando, ontem, achei que não seria possível.
"Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra." - Caio F. Abreu
domingo, 17 de janeiro de 2010
Uma amiga.
Estou me rasgando inteira de desespero. Grito em sussurros mudos a mais incontrolável melodia de não ser quem finjo. Quem é essa coisa seca que sorri o meu sorriso no espelho? Quem é essa pessoa meio viva, meio andante que está dublando as minhas falas pela rua? Por que vejo outro alguém emaranhado debaixo das minhas roupas? Cadê eu que me perdi em alguma esquina dentro de mim? Tudo o que sei é que me soterrei na queda das minhas próprias torres e sentei naquele canto escuro para observar a minha demolição. Me deixei perder. Estou perdida! No labirinto mais interno que criei pra fugir. Eu fugi depressa demais. Fugi de medos que deveriam ter sido enfrentados, mas não sei voltar. Me ajudem. Fantasmas me agarram, me puxam, me prendem, me sufocam, me levam... A ondas me levam... Me afogo em sensações de outra pessoa que hoje, sem razão, dei pra sentir. Essa frieza toda não é minha, juro. Eu costumava ser quente. Eu costumava ser viva. Mas não sei voltar.
"Tô exausto de construir e demolir fantasias. Não quero me encantar com ninguém." - Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Minha Diva
A primavera da minha vida, o sorriso no meio da minha dor.. Você é a canção mais alegre que eu já cantei. Você é o melhor porto seguro, a mais forte rocha de segurança quando meu alicerces tremem e minhas bases dissolvem-se debaixo dos meus pés. Foi o fim da minha solidão e é pra onde corro quando ninguém mais será suficiente. É aquela que escuta tudo que tenho pra dizer, sejam coisas bonitas ou feias, tristes ou engraçadas, que dizem tudo ou não dizem nada... Meu diário sem sensura, minha certeza absoluta, a fortaleza que se enfraquece junto comigo e me dá segurança pra levantar a cabeça e acreditar em mim passo após passo.
Obrigada por estar comigo nesses quase quatro anos de amizade sincera repleta de altos e baixos, mas sempre transparente.
Eu te amo, Priscila Simões. Amo como nunca e como sempre. Te amo eternamente.
"Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim" - Caio F. Abreu
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Sol de meio-dia.
Sou novelo de lã brincado pelo gato.
Me segurei em suas verdades. Me doei completamente a esse sentimento mais ação que sentir e mais sentir que aproximar. E, quando percebi suas mãos de calor tocando a minha alma fria de terror, moldei-me à sua temperatura firme. Você abençoou meu coração e minha janela de sensações com as cores mais vibrantes e quentes. Eu derreti. Derreto-me hoje lembrando do que aconteceu a mim debaixo desse sol de meio-dia, debaixo do calor que o seu sorriso irradia. Pra dentro de mim. Fiquei cega, fiquei perdida e me acostumei depois à claridade e limpeza dessa serenidade de sentimentos embaralhados.
Novelo de lã brincado pelo gato.
Emaranhado de sentir estranho... Novo... Calmo... Seu. Estou aqui presa por um fio de amor, uma pontada de luz que iluminou cada canto escuro do meu quarto mofado de medo. Não sei me esconder de você. Empobreci perdendo o meu vazio, mas ganhei um preenchimento que hoje me sacia. Estou completa. Mais eu, meio você.
Novelo de lã brincado pelo gato.
Hoje desembaraçado.
"Tornar o amor real é expulsá-lo de você para que ele possa ser de alguém."
Garota Invisível
Invisível pra ele é o que sou.
Não existem muitos erros por ser assim.
Nunca contei que desde que fiquei consciente de sua presença aqui na terra - a minha terra, - jamais deixei de notar.
Notar seu cheiro, seu jeito, sua boca...
Notar você.
E porque não me nota?
Sou assim tão invisível que não vê como te sigo?
Te sigo com os olhos
Com a mente,<
Com o corpo que aponta em sua direção.
Mas não dá pra esquecer que ainda assim sou invisível.
Será que isso pode me valer de alguma forma?
Sendo assim tão difícil de ver talvez eu consiga chegar aí perto.
Perto de você.
Junto de você.
Dentro de você...
Por: Lena Reimão.
"Meu coração tá ferido de amar errado." - Caio Fernando Abreu