terça-feira, 3 de julho de 2012

Eu devo estar triste, senão estou louca


Estou dizendo que estou triste, mas nem eu mesma acredito. Parece que não faz sentido, mas faz. Porque não estou parecendo triste. Estou é fazendo umas coisas bem tristes tipo ficar em casa vendo comédia romântica e desejando dormir, dormir, dormir até afundar na cama. Marquei com uma amiga de passarmos a tarde juntas hoje e ela não veio. E fiquei agradecendo já que daí eu podia dormir mais.

Mas de manhã cedo, quando eu tive que sair pra levar as fotos do ensaio na gráfica, eu estava assoviando no onibus, lendo O diário da princesa pela segunda vez - e você sabe que eu nunca leio nada pela segunda vez -, ouvindo músicas alegres e sorrindo para o motorista.

Meu amigo me perguntou cadê aquele menino que eu ficava falando na webcam enquanto estava na faculdade, eu abanei a mão e disse "ah, sabe que eu não sei?  A gente parou de se falar e eu to triste". Daí ele me disse que eu fico triste de um jeito estranho e eu respondi assim, bem vaga, algo como:  "sim, gosto dele há quase quatro anos... To bem triste. Na verdade, to péssima"

Meu amigo olhou pra mim e riu. Ficou rindo porque eu obviamente não estava triste. Ninguém que está péssima fica saltitando na rua, abraçando colegas gays da faculdade, dividindo Mendoratos e pegando panfletos porque "coitadas dessas meninas que ficam em pé o dia todo distribuindo essas coisas que todos jogam no lixo". Ninguém que está péssima diz que está bem triste. Mas eu estou triste. E quero dormir para sempre até afundar na cama.

Também estou cansada de ficar me lamentando. Outro dia fiquei lamentando para outro amigo. "Poxa, que droga que ele não me ama". Tem lamentação mais idiota? Sei lá, fiquei me achando idiota. Não tenho nem o que lamentar sem achar que eu mesma estou sendo idiota. Já me queixei por tantas coisas diferentes, por tudo o que tinha para me queixar.

Eu fiz tudo errado da primeira vez e não deu certo. Eu fiz tudo certo da segunda vez e não deu certo de novo. Não tenho mais opções. A minha opção é ficar triste sozinha, sem ter que forçar isso nas pessoas. Por que eu simplesmente não sei traduzir isso. Essa sensação de que estou dando ctrl+v na minha própria tristeza.

"Ah, droga, eu já senti isso antes" ou "Ah, droga, não tenho ele no meu facebook, mas espera... eu também não tinha seis meses atrás". Enfim, é só copiar e colar que você vai perceber que está tudo igual. Só que agora sem esperanças, então acho que essa é uma tristeza mais desesperada que as outras. Só que desesperada e quieta, por que a voz que eu tinha pra gritar foi embora na oitava ou nona tristeza.

E também tem outra coisa estranha: eu estou feliz em todo o resto!

Isso, essa coisa, esse lugar dele que não é mais dele, que é pra ele sair e eu estou tentando expulsar falando até com Deus agora. Isso está triste, machucando, doendo e tal, mas há outras mil coisas felizes, mil coisas que me dão uma vontade enorme de brigar comigo mesma e dizer "Pára, Carla, você não tem esse direito, ele não é seu!  Não aja como uma criança mimada que acabou de perder o seu brinquedinho. Acorda, Carla, ele foi embora há meses!"

E daí eu digo! Digo isso para mim mesma e não adianta nada porque eu só fico mais triste. E as outras coisas felizes são ainda mais felizes quando eu estou triste. Dentro de mim mesma são coisas demais sendo tão diferentes que me sinto quase culpada.  Tanto pela tristeza quanto pela alegria. Não posso ser feliz perdendo o cara que eu amei por quatro anos... Não posso ser triste só por perder um cara que nunca me amou durante quatro anos.

Aí eu fico calada por que não sei o que dizer. Sinceramente eu devo estar triste, senão estou louca.

Né?

"Não briguei mais por você, porque ter você seria muito menos do que ter você. Não te liguei mais, porque ouvir sua voz nunca mais será como ouvir a sua voz. Não te escrevo porque nada mais tem o tamanho do que eu quero dizer. Nenhum sentimento chega perto do sentimento. Nenhum ódio ou saudade ou desespero é do tamanho do que eu sinto e que não tem nome." - Tati Bernardi

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Não importa

"Mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim" - Caio Fernando Abreu

terça-feira, 12 de junho de 2012

Consultório Sinistro


Queria ter inspiração hoje para escrever algo bonito, mas, ao invés disso, resolvi apenas escrever. Por que não sei mais o que fazer e, entre chorar e orar pedindo uma coisa que nem sei o quê, escrever me pareceu razoável. Afinal, nada me impede de escrever pra Deus. Como também nada me impede de fazer das letras as minhas lágrimas e das verdades no papel o meu soluço.

Vivo alardeando o meu cansaço, meu desespero ou a minha esperança amalucada. Vivo sorrindo por dentro e por fora e depois me arrependendo do que não sofri e sofrendo mais um pouco pelo que já vivi. Trazendo meu passado à tona como se ele não pudesse descansar em paz por que morreu de repente. Transformando meu passado em alma penada e o obrigando a me assombrar de TPM em TPM.

Há um nome correndo por meus dedos. Escorre da caneta em forma de menino. Seja de joelhos enquanto converso com o Altíssimo, seja sentada enquanto falo de amor, seja deitada na grama sussurrando pras estrelas, seja de pé na autoescola esperando a minha vez de conferir a digital no corredor. O nome dele corre por meus dentes, passeia por minha língua, beija os meus lábios e escapa. Escapa sem pressa e, às vezes, escondido. Se eu me distraio um segundo, repito, repito “...”.

Aí é que entra a minha chance de inventar mil razões, decifrar os motivos e tentar me convencer, com a ajuda de todas as amigas e amigos, de que ele não volta. Não houve amor, nada mais dará certo, isso é tudo ilusão. Não pode haver um “senão”, senão eu morro de esperança amalucada.  Sufocada de paixão. Desesperada.

Contando os dias, contando as horas pra vê-lo novamente e sem palavra nenhuma na mente que ensaie esse momento cômico. Por que a única palavra que os meus lábios sabem dizer é o nome dele e conversa nenhuma se sustenta num nome. A única imagem que minha cabeça sabe pensar é de um “ele” tão distante que nem sei mais se há. Ah, que se dane! Ainda faço questão de tudo e nem sei que tudo é esse que tanto me consome.

Deus me manda esperar, minha amiga me manda esperar, ele me deixa esperando sem trazer nem uma revista que eu possa folhear. Estou num consultório sinistro e os quadros da parede são quadros-fantasma. Com as pinturas renascentistas do meu passado-alma-penada. Comigo ainda esperando, já meio desesperada. Sufocada de paixão. Amalucada.

Nem sei mais o que preciso fazer, mas entre chorar e orar pedindo uma coisa que nem sei o quê, hoje me pareceu razoável escrever.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Carnaval

Todos os meus poros estão aflitos. Meu suor abraçando sua cintura com as pernas e o ranger da cama, dos dentes, da alma. Barulho infinito misturando as cores de uma aquarela imiscível. Invisível a tensão que me envolve pelos erros, mas as mãos e os seus pecados me puxam os cabelos e eu sempre volto meio para os seus braços, meio para essa taça de desejo puro que derrama só um gole em minha pele quente.
Todas as cobertas estão aflitas. Não sabem se me cobrem ou observam você me descobrir em beijos, línguas e gemidos que são quase lamentos pela minha entrega. Porque não escondo nenhum pedaço. Em pelo, luxúria e murmúrios, eu sou a pele que o seu dente esmaga. Sou a perna que o seu lábio encontra. Sou o nome que a sua boca suspira. É o meu espírito indo dar uma volta porque a festa da noite é por conta da carne. Só por hoje, entre nós, é carnaval.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Beijo em prostituta

E eu vou te escrever uma surpresa. Porque cada um faz o que sabe e o que sei se embrulha em letras. O meu presente pra você é meio desordenado, mas, com palavras todas loucas, esse texto é todo seu. Um texto que é beijo em prostituta. Beijo na boca. Já que grita, mais que o sexo, uma intimidade louca. Um beijo que é prece por alguém que foi embora e assim desvenda o interno de um outro que não vejo. E eu sei que não te vejo, mas, ainda assim, te escrevo. Espremendo as linhas com as duas mãos, abrindo caminho em quem sou e fui para te ter mais perto um pouco do que quero ser. É que eu vou te escrever uma surpresa. Nesse texto, brincando em letras, te ofereço tudo de mim. Em meio prosa, meio poesia (e se eu pudesse até cantar, eu cantaria), o meu jeito de dizer que amo é esse aqui.

Palavras mal ditas

Mariana, Ana e o mar
Leveza, certeza e beleza de fim de tarde
Meio fada de si, meio serva por dentro
Nessa tarde ela é toda silêncio.
Nessa tarde é só Ana e o mar e, ao pôr-do-sol, ela é Mariana
A palavra mal dita fazendo carinho em seus cachos negros
Não nega a felicidade, não evita o desapego
Um pouco de sangue em versos
Mais azul que vermelho
Mar e onda, sem vento
Ana e mar, Mariana é toda silêncio.