sábado, 4 de fevereiro de 2012

Firework

Estava no carro voltando para casa com a família inteira depois do culto de natal e, não sei se por causa da música alegrinha tocando no rádio ou se por que eu sou assim mesmo, lembrei de você. Engraçado como a gente vai crescendo e tudo vai mudando, até as músicas que nos trazem as pessoas.
Aquela música triste, quase melancólica, que todo mundo disse ser a nossa cara quando ouviu? Ela não me lembra em nada você. Mas basta ouvir uma canção feliz, alguma coisa mais animada e com ritmo dançante e lá está você me puxando para o meio da rua para fingir que estamos num baile daqueles antigos. Eu morrendo de vergonha, você se achando um gentleman e os dois dançando no compasso que só nós dois ouvimos em nossas cabeças.
Coisas para cima me lembram a gente. Mesmo que todas as páginas sobre você tenham me deixado tão para baixo. Acho que é por que cresci demais com o sangue-tinta que gastei naquele diário e agora vejo as coisas meio daqui de cima, de um ângulo melhor. Vejo as coisas boas. As ruins eu coloco na conta de todas as lágrimas que já chorei no ano passado, no mês passado, na última TPM.
Sua amizade, seu “oi” mais animado do que todos os “oi”s de todos os caras até hoje, sua necessidade de me contar sobre o seu dia, seus pedidos de oração acompanhados de um “também vou orar por você, te devo muito”. E toda essa consideração, esse respeito e a admiração que traduzidos são um amor mais fraternal do que meu coração suporta. Tudo isso me faz sorrir até explodir.
Sorriso de dor, sorriso que é cabide na boca. Por que eu quero te ter por perto até quando for insuportável. Daí decido o que fazer. Hoje, lá no carro, meu pai me contou que, dois anos atrás, você falou para ele que eu era linda. Que eu sou linda. Depois ele disse “mas isso não faz mais diferença nenhuma agora”. Queria entender em que mundo isso não faz diferença. Você me acha linda e meu sorriso explode. São fogos de artifício que queimam um pouquinho de mim para - só mais uma vez - te fazer feliz.

"Por que você está longe demais para se importar e eu me importo demais para ficar longe."

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Ensaio de um primeiro texto

Pare. Eu quero que pare. Que o vento pare, que as borboletas brinquem de estátua em meu estômago, que até a respiração seja suspensa e só a música deve continuar. Por que a música nunca pára. Mas, de você, eu me recuso a receber esse beijo. Paro seus lábios e as minhas expectativas no meio do caminho: não vou resumir tudo o que somos num beijo de despedida. Aliás, nunca mais eu quero beijos de despedida, nunca mais na vida! Então fique longe, dê dois passos curtos para trás e me deixe olhar para você. Só mais uma vez. Só mais um milhão de vezes enquanto imagino o beijo que parou junto a centenas de borboletas. Não vou diminuir o seu sorriso, seu olhar de bobo, sua mão meio fria segurando a minha, sua timidez escancarada, seu roçar de dedos no meu queixo, seus - Deus me proteja! - adoráveis sumiços. Não vou diminuir você a um beijo. Somos tantos sonhos esperando a sua noite, somos tantas inseguranças impedindo os nossos pés de pular de uma vez que seria injusto transformar tudo isso em saudade e lembrança do beijo. Quero saudade do seu segundo perfume, saudade das suas chaves na minha bolsa, saudade de quem você é e não do seu gosto. Você não é sorvete, você é gente. A gente é um quase-beijo. E mais. A gente também é música, por que a música nunca pára, a música nunca acaba.

"Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música." - Aldous Huxley

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Nada ou quase nada

Você ainda do outro lado lendo meus rabiscos. Eu ainda do lado de cá rabiscando essas palavras meio soltas que dizem tudo e não revelam quase nada. Poderia listar, frase após frase, meus motivos para continuar voltando a esse templo que grita os sacrifícios do meu amor-próprio para alimentar o deus você. Do outro lado, sorrindo ou não, feliz ou não, lendo meus rabiscos. E a raiva misturada em sangue escorrendo altar abaixo, procurando tudo o que se perdeu quando foi visto pela última vez o seu sorriso meu. Agora é nada ou quase nada. Me recuso a acreditar que toda a verdade sempre foi meio mentira por que nossas mentiras nunca chegaram a ser meio verdades. E o meu amigo escondido em algum lugar dentro de você, e o meu menino cheio de defeitos que enchiam meu peito de amor e sei lá mais o que, ele também se foi. Foi e fica por que parte de mim se recusa a deixá-lo ir. Parte de mim sente sua falta enquanto você, ainda do outro lado, lê os meus textos ou eles se perdem, sem sentido, quando não encontram o deus do sacrifício. E eu ainda do lado de cá, sozinha, escrevendo meus rabiscos...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ventania de sonhos

Sentada na janela e o sonho voando por baixo dos seus cabelos de ventania. Caracol e borboleta, era meio menina e meio cabelo. Toda brincadeira esperando que passasse alguém disposto a prender o sonho num pote, prender a vida num segundo e o sorriso num momento. Era menina, janela, cabelo. Era pote, segundo, momento. E num terceiro momento, não era nada. Só uma brisa que voava debaixo dos caracóis. Brisa com asas de borboleta. E os sonhos todos fechados e as vivências todas espremidas para sobrar espaço. Um canto só daquele lado por que mais coisas virão. Um canto só de passarinho por que quem voa mais alto é quem não sai do chão. A garotinha reticências, a janela escancarada e o sol virando chuva. A paisagem de toda uma vida muda, mas muda gritando, muda de planta. E cresce depois. Da lagarta à borboleta, da semente à macieira, do caracol ao cabelo. Totalmente enrolados, encaracolados e com ventania de sonhos por baixo.

domingo, 31 de julho de 2011

Sou concha

Soltei o barco. Vá embora que eu fico boiando sozinha. Pode ir que ainda tem bastante mar para mim e para você, mas sua costa é do outro lado. Meu continente é meu chão e sua terra é outra. Minha piada é meu barulho por dentro, sou concha. O barulho do mar é minha mão no ouvido, mas eu soltei o barco. Adiante o seu lado e siga para o seu porto que o meu pedaço de certeza é o seu punhado de interrogação. Me exclame! Só me cante por aí a fora por que já desisti de pedir que me ame. Implorar amor é triste, eu sempre soube. Daí agora cansei. Estranho isso, né? Você vai vivendo e uma hora, do nada, quando a vida parece sorrir com os dentes bem abertos... Você cansa. E tudo deixa de fazer sentido. Amizade de amor não correspondido deixa de fazer sentido. Soltei o barco, soltei as perguntas, soltei a esperança. Ela não morreu ainda, mas, solta no meio do mar com pouca água e pouca comida, pouco tempo lhe resta. Adeus, meu não-tão-meu amor.

sábado, 23 de julho de 2011

Sakura

A menina dos olhos de anime. Tão parecida comigo antes e agora quem é você? Você e seus olhos brilhantes, de fogo, de aço. Olhos impenetráveis, sinceros e sem máscaras. Eles são sua janela da alma escancarada e que alma é essa? Menina dos olhos de anime, foi você quem mudou ou fui eu? Eram as nossas festas, são as nossas histórias e o que será do nosso futuro? Seus olhos entendem, meus olhos não mentem. Lá se vai a garota dos olhos de anime se perdendo numa floresta em que eu nunca vou entrar. Posso gritar de fora, posso tentar fazer barulho suficiente para que o lobo fique longe, mas dentro da floresta escura eu não posso entrar. Não é meu lugar, nunca foi. É o seu lugar, olhos brilhantes? Tem certeza que não está trocando o bosque e a clareira por essa mata sombria apenas por medo de encarar o que há por trás de tantos olhos, tantos segredos e seus próprios medos fazendo as sombras?
A menina dos olhos de anime. Tão diferente de mim agora e antes quem era você? Você e seus olhos meio tristes, de gelo, de gelatina. Olhos convidativos, dissimulados e protegidos. Eles são sua janela da alma esperando um sinal de alerta, mas que alma é essa? Menina dos olhos de anime, qual a nossa verdade agora? Te espero do lado de fora e grito para os lobos irem embora. Não corra para eles, eu prometo que espero a sua volta.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A vida comentada

De acordo com o meu antigo professor de física, o mundo se baseia em ações e reações. Eu diria atos e pensamentos desencadeados por atos - isso aqui no meu mundo de poucas reações. Então, vamos lá. O fato: Um casal que eu conhecia, admirava e achava que "daria super certo" terminou há algum tempo e eu descobri isso da pior maneira possível. Por que a Lei de Murphy, claro, reina em minha vida, esbarrei com o rapaz no shopping, perguntei pela moça e a resposta desconfortável depois de umas três levantadas seguidas de ombro e uma arrumada no cabelo foi: Deve estar vivendo a vida dela. Sei lá.
É, meus queridos, quando alguém diz que outro alguém deve estar vivendo a própria vida eu quase posso ouvir a mágoa gritando em cada sílaba. Triste, mas não desesperador. O que realmente me desencadeou pensamentos foi, alguns meses depois, ver o tal rapaz beijando alegremente uma segunda mocinha em fotos abandonadas por essas redes sociais. Pense um romance! Então.
Fiquei olhando as três únicas fotos e me perguntando se a antiga namorada fazia idéia daquela felicidade toda e, confesso, passei a especular como ela deveria estar se sentindo. Mal, eu pensei. Aliás, se fosse eu - por que todo mundo sempre leva para o lado pessoal, - estaria me rasgando de ódio da desaforada que está beijando O MEU EX - por que seu ex nunca deixa de ser seu - e teria começado a pesquisar tudo sobre a vida da infeliz que não tem medo da morte ou de vodu.
Foi nesse pensamento que me muni de coragem vinda do mais íntimo da fraternidade das ex e resolvi que ia começar a pesquisar a vida da malfeitora. Antes, claro, dar uma passada na página da rede social da minha amiga que tinha sido brutalmente trocada para ver algo triste que ela postou declarando-se perdida, esquecida e abandonada. Pobrezinha!
Clique vai, clique vem, entro no álbum de fotos da cumadi e o que meus olhos viram? A moça já está namorando outro também, gente! E há mais tempo que o rapaz do shopping, coitado, tão triste e tão suspendendo o ombro três vezes e ele ainda mexeu no cabelo, o bichinho. Ainda não me decidi de que lado estou, mas definitivamente não estou do lado dos relacionamentos de hoje em dia.
O que é isso, meu povo? Hoje todo mundo sai dizendo que ama, ligando o tempo todo, gastando aquela promoção maravilhosa da TIM e lá se vão muitos cinquenta centavos e amanhã o que sobra?
Acho que o mundo inteiro está vivendo a paixão com pressa. Pressa pelo próximo e sai da frente por que preciso mostrar para aquele idiota o quanto sou madura e como tem muito mais gente interessada em mim. Veja o que perdeu e se lembre amargamente do lugares mais sórdidos em que o outro está colocando as mãos. Seu boboca!
Ah, pessoal, vamos parar por aqui, né? Eu me recuso a acreditar que dar a volta por cima signifique sair beijando todos, curtindo muitas festas e contraindo doenças venéreas. E, mesmo assim, meio trôpega que ainda estou com os meus próprios fins, já decidi - pelo menos - o que não quero.
Não quero brincar de "me ame por enquanto", não quero brincar de "mate minha carência que eu mato a sua" e não vou, repito, eu não vou fingir que estou me apaixonando pelo primeiro idiota que me ignorar no MSN. Tenho muito mais valor do que isso e, já que todos sabem que orgulho não é mesmo o meu forte, vergonha nenhuma de admitir que as minhas paixões são contadas nos dez dedos das mãos e incluem comer e dormir.
Não preciso de uma verdade inventada, como proclamou dona Lispector, mas também não pretendo viver apenas do que é passível de fazer sentido. Faz sentido para você amar e guardar todo esse amor dentro de si por que já aprendeu a duras penas que falar demais cansa a garganta? Pois bem. Agora vou amar sem gritar nada. Peço perdão ao ex-casal e aos novos amantes, mas meu amor não se desfaz em meses. E que Deus me ajude.