sábado, 23 de julho de 2011

Sakura

A menina dos olhos de anime. Tão parecida comigo antes e agora quem é você? Você e seus olhos brilhantes, de fogo, de aço. Olhos impenetráveis, sinceros e sem máscaras. Eles são sua janela da alma escancarada e que alma é essa? Menina dos olhos de anime, foi você quem mudou ou fui eu? Eram as nossas festas, são as nossas histórias e o que será do nosso futuro? Seus olhos entendem, meus olhos não mentem. Lá se vai a garota dos olhos de anime se perdendo numa floresta em que eu nunca vou entrar. Posso gritar de fora, posso tentar fazer barulho suficiente para que o lobo fique longe, mas dentro da floresta escura eu não posso entrar. Não é meu lugar, nunca foi. É o seu lugar, olhos brilhantes? Tem certeza que não está trocando o bosque e a clareira por essa mata sombria apenas por medo de encarar o que há por trás de tantos olhos, tantos segredos e seus próprios medos fazendo as sombras?
A menina dos olhos de anime. Tão diferente de mim agora e antes quem era você? Você e seus olhos meio tristes, de gelo, de gelatina. Olhos convidativos, dissimulados e protegidos. Eles são sua janela da alma esperando um sinal de alerta, mas que alma é essa? Menina dos olhos de anime, qual a nossa verdade agora? Te espero do lado de fora e grito para os lobos irem embora. Não corra para eles, eu prometo que espero a sua volta.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A vida comentada

De acordo com o meu antigo professor de física, o mundo se baseia em ações e reações. Eu diria atos e pensamentos desencadeados por atos - isso aqui no meu mundo de poucas reações. Então, vamos lá. O fato: Um casal que eu conhecia, admirava e achava que "daria super certo" terminou há algum tempo e eu descobri isso da pior maneira possível. Por que a Lei de Murphy, claro, reina em minha vida, esbarrei com o rapaz no shopping, perguntei pela moça e a resposta desconfortável depois de umas três levantadas seguidas de ombro e uma arrumada no cabelo foi: Deve estar vivendo a vida dela. Sei lá.
É, meus queridos, quando alguém diz que outro alguém deve estar vivendo a própria vida eu quase posso ouvir a mágoa gritando em cada sílaba. Triste, mas não desesperador. O que realmente me desencadeou pensamentos foi, alguns meses depois, ver o tal rapaz beijando alegremente uma segunda mocinha em fotos abandonadas por essas redes sociais. Pense um romance! Então.
Fiquei olhando as três únicas fotos e me perguntando se a antiga namorada fazia idéia daquela felicidade toda e, confesso, passei a especular como ela deveria estar se sentindo. Mal, eu pensei. Aliás, se fosse eu - por que todo mundo sempre leva para o lado pessoal, - estaria me rasgando de ódio da desaforada que está beijando O MEU EX - por que seu ex nunca deixa de ser seu - e teria começado a pesquisar tudo sobre a vida da infeliz que não tem medo da morte ou de vodu.
Foi nesse pensamento que me muni de coragem vinda do mais íntimo da fraternidade das ex e resolvi que ia começar a pesquisar a vida da malfeitora. Antes, claro, dar uma passada na página da rede social da minha amiga que tinha sido brutalmente trocada para ver algo triste que ela postou declarando-se perdida, esquecida e abandonada. Pobrezinha!
Clique vai, clique vem, entro no álbum de fotos da cumadi e o que meus olhos viram? A moça já está namorando outro também, gente! E há mais tempo que o rapaz do shopping, coitado, tão triste e tão suspendendo o ombro três vezes e ele ainda mexeu no cabelo, o bichinho. Ainda não me decidi de que lado estou, mas definitivamente não estou do lado dos relacionamentos de hoje em dia.
O que é isso, meu povo? Hoje todo mundo sai dizendo que ama, ligando o tempo todo, gastando aquela promoção maravilhosa da TIM e lá se vão muitos cinquenta centavos e amanhã o que sobra?
Acho que o mundo inteiro está vivendo a paixão com pressa. Pressa pelo próximo e sai da frente por que preciso mostrar para aquele idiota o quanto sou madura e como tem muito mais gente interessada em mim. Veja o que perdeu e se lembre amargamente do lugares mais sórdidos em que o outro está colocando as mãos. Seu boboca!
Ah, pessoal, vamos parar por aqui, né? Eu me recuso a acreditar que dar a volta por cima signifique sair beijando todos, curtindo muitas festas e contraindo doenças venéreas. E, mesmo assim, meio trôpega que ainda estou com os meus próprios fins, já decidi - pelo menos - o que não quero.
Não quero brincar de "me ame por enquanto", não quero brincar de "mate minha carência que eu mato a sua" e não vou, repito, eu não vou fingir que estou me apaixonando pelo primeiro idiota que me ignorar no MSN. Tenho muito mais valor do que isso e, já que todos sabem que orgulho não é mesmo o meu forte, vergonha nenhuma de admitir que as minhas paixões são contadas nos dez dedos das mãos e incluem comer e dormir.
Não preciso de uma verdade inventada, como proclamou dona Lispector, mas também não pretendo viver apenas do que é passível de fazer sentido. Faz sentido para você amar e guardar todo esse amor dentro de si por que já aprendeu a duras penas que falar demais cansa a garganta? Pois bem. Agora vou amar sem gritar nada. Peço perdão ao ex-casal e aos novos amantes, mas meu amor não se desfaz em meses. E que Deus me ajude.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O dragão Saudade

Era um garoto de poucos amigos.
De poucas conversas.
De poucos sentidos.
E mesmo sem fazer sentido nenhum ela pensou que podia ser.
Mas não podia.
Por que o amor do garoto tinha prazo de validade e só ela não sabia.
Por que o sorriso do garoto era de todos justamente por não ser de ninguém.
E ela ficou sem sorriso e com tudo passado do prazo também.
Ele, garoto de poucos amigos.
Ela, garota que adorava correr riscos.
A vida continuou igualzinha para ele depois dela.
A vida dela parou por meses depois dele.
A menina decidiu enfrentar seus leões e lutou bravamente contra um dragão enorme.
Saudade lançando fogo.
Saudade olhando para ela com olhos de demônios.
E ela lutando bravamente, incessantemente... Eternamente.
O garoto agora sorrindo para todos e esquecendo que deixou para trás uma amiga.
Amiga?
Sinto muito, mas isso não faz sentido.
Ele é só um garoto de poucos amigos.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sabor de outono

Ando querendo tantas coisas e me afastando de tantas outras. Eu deveria estar me jogando mais fundo no que realmente sou, mas me sinto incoerente. Vou mudando em cada esquina e tendo que me reinventar a cada passo dado. Não é como se eu aprendesse nada com os fantasmas do passado, não é como se os mestres fantasiados de dor ainda me ensinassem alguma coisa. Vivo sendo e (re)-sendo todos os dias nos mesmos erros e nas mesmas alegrias, esperando na janela de mim e a coisa que eu espero não vem. Há um gosto na língua que me lembra outros outonos, mas o sabor é mais distante, quase pede outra dose. A vida inteira me pede outra dose. Mais uma aplicação de euforia, adrenalina, expectativa e futuro. Tudo misturado de um jeito totalmente não-seguro por que preciso de destino. O presente está sendo vivido como se não fosse nada, como se não alterasse nada. O presente é só um meio para chegar ao fim, mas quando o fim chegar e então? O que acontece depois que já se é feliz para sempre?


"Acredito que as pessoas só mudam por vontade própria e nunca pelo pedido de outra pessoa. Acredito que tudo que eu acredito hoje vai mudar com o tempo. E que, no futuro, talvez, eu acredite em menos coisas. Ou em nada mais." - Brena Braz

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Sobre a não necessidade de regras gramaticais

Tomando meu café, conversando com um amigo outro dia, a notícia incoerente do jornal se comunica comigo. Quase se comunica. Não entendo como há pessoas que podem acreditar com toda a fé dos seus corações que entregar nas mãos de jovens brasileiros o "não há regras" melhorará para eles a compreensão do mundo. Há então, entre nós, uma nova maneira de segregação? Bem, por que não? Vamos separar entre alunos de escola pública e de escola privada aqueles que compreenderão que a norma culta por diversas vezes deve ser prezada.
Claro que a oralidade se basta na compreensão do texto, mas o que será dos nossos jovens se não entenderem que quase tudo crucialmente importante em suas vidas, desde escrever uma redação para o vestibular até conseguir um bom emprego, vai depender da maneira como empregam o português normativo?
Passar adiante expressões oralizadas e cheias de cultura, tudo bem, mas desfazer-se de toda ordem no que tange à língua? Isso sim é a baderna da imoralidade linguística cuspindo em nossas caras. Poxa, Brasil, será tão difícil assim admitir que precisamos construir alguma coisa além de só desconstruir? É possível que seja correto dispensar a gramática em função do tudo pode, do tudo dá?
Que o nosso país consiga expandir-se em colocar os conceitos onde eles devem estar. Falar errado não é bonito - por mais cultural que seja. Escrever errado não é bonito - por mais que os livros afirmem o contrário. Vamos levantar uma nação de jovens que entendam para além do que os livros dizem ou o nosso futuro se resumirá a barbarismos. Ou lutamos agora, ou sofreremos depois. Aliás, como diz o novo livro: Ou nós luta agora, ou nós sofre depois.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

E se...

E se ainda há solução, meus olhos sangram perdão. Por todos os poros respiro mais que amor, respiro esse querer desenfrado que é meio sangue, meio paixão. Sou toda sua, de mais ninguém, mas não sou nem minha e não se pode dar o que não se tem. E se ainda há mistério, meus olhos choram a dúvida. Por mais que se mude por fora, o que eu trago em memória é o que nunca muda.S ou uma sentença acercada de tantas outras paráfrases que só falar o que vem de dentro parece tão pouco. Não estou aqui pedindo nada, estou meio benção, meio amaldiçoada, sendo o que sempre fui. Sendo eu e só.

"O passado não só não foi esquecido como, incomodamente, ainda não passou."

terça-feira, 3 de maio de 2011

Hoje eu 'to fechando!



É, pessoa. Fechei meu blog. Claro que eu nunca ia deletar o Incomin, ele é meu xodó para a posteridade, mas depois de um comentário de Léo, outro de Ju... Enfim, agora vamos ficar aqui em família, não é? E o carla-sozinha (em latim, sou FYNA) vai se resumir a eu mesma e vocês todos. Seus lindos! Os textos continuarão emos e talz, não se preocupem. Depois eu volto para colocar algo que preste aqui. Beijo, galere!