Não está tudo bem. E parem de perguntar se está. Parem de olhar para mim com esses olhares de pena. Me deixem em paz! Não preciso de ninguém me esperando o que fazer ou espreitando o meu sentir como se tudo dependesse de um sorriso meu. Falso sorriso meu. Não, não está tudo bem. E dane-se o que você mastiga quando quer cuspir doce. Eu estou cuspindo tudo o que há por dentro e é amargo o suficiente para não estar nada bem. Voltem às suas vidas, voltem às suas flores, seus livros, seus não-amores e me deixem sofrer. Sinceramente? Me deixem sofrer!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Envelopes.
"Ele está indo embora, menina. O seu melhor amigo vai descendo a rua e você parada na porta de casa!", meu cérebro gritava. Não adianta, repeti. Falei mil vezes que eu estava enganada, que dava para contornar, que dava para entender, que não somos tão diferentes assim, (caramba!). Mas repetir uma coisa como um mantra, não faz disso uma verdade. Ele vai a passos lentos. Esperando que eu chame de volta. Ou não. No fundo ele sabe que é exatamente assim que vai ser. E dói. Em nós dois. Do jeito mais clichê. O café que nós tomamos ainda está sobre a mesa, o sofá ainda parece desarrumado no formato exato do seu corpo e o cachorro com seu cheiro tem saudade gritando por todo o pêlo. Ele foi embora, menina. O seu melhor amigo foi embora.
"A escolha certa nem sempre vem no mesmo envelope dos bons sentimentos." - Série Cris, O amor pode esperar.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Em tempos de eleição
Que me feche a garganta o grito surdo dos que têm muita alma e pouca voz. E que eu fale por eles, que grite sua vez enquanto, nos becos imundos, são retratos do meu descaso. Por que não me retiro do circo já criado em que há palhaços peraltas e leões a ser domados. Não me privo do não-orgulho e da culpa de ter o dedo apontado para o rosto da indiferença. Se há algo que toque os tambores, se há som que rufe a consciência, que badalem os sinos mais altos para que desperte do coma da dormência todo o ser que, de braços cruzados, tem pretenção de fazer a diferença. Que lutemos até o fim, que nos crucifiquemos em nome do que cremos e que nossas cabeças sejam levantas para que, antes de esmagadas, façam valer a pena a nossa causa. Por que se há cruzes em que morrer, é certo que não terminaremos nossa luta de braços cruzados.
"Eu que jamais me habituarei a mim, gostaria que o mundo não me escandalizasse" - Clarice Lispector
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Até o fim
Olha que os ventos lá fora agora estão calmos e pouco me arrastam dentro dos seus redemoinhos. Olha que a paz que me eleva é toda feita do seu sorriso e da sua segurança que tão pouco balança. Percebe então o meu medo, a minha desesperança e tudo o mais que se mistura lentamente a todas as faltas de certeza que me cospem a cara e me apertam o peito, mas me prende bem perto. Mantém o seu braço ao redor do meu ombro e me segura nos caminhos em que me falham as pernas, as palavras, os sentires. Estou vulnerável e ainda ocilo, mas decisões são decisões que, por mais balançantes que estejam, apontam uma direção. Vou por esse lado por que é o lado em que você está. Era tudo verdade quando eu disse que deito nessas horas que não passam esperando que o sono me distraia da falta que você faz. Quantos sonos me distrairiam da vida se não houvesse mais as suas cores gritando na minha sala? Deita aqui a sua cabeça no meu colo e que as calçadas da rua não te encontrem mais para além da minha porta. A minha casa te precisa. Fique e sirva-se. Welcome back.
"Mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha ou fatalidade, não importa, estamos tão enredados que seria impossível recuar para não ir até o fim" - Caio Fernando Abreu
sábado, 31 de julho de 2010
Num sábado
Antes de ontem eu estava reparando em mim mesma. Acho que sou meio maluca agora. Aquele tipo de maluquice de gente que coloca os fones de ouvido e esquece de ligar a música, sabe? Eu prefiro passar na frente dos carros do que subir a passarela, mas se está chovendo e eu estou com pressa, aí a passarela parece ser indispensável e eu acho que vou morrer se cortar caminho na frente de um caminhão. Me desespero se tento falar com meu pai e ele não atende, mas se me dizem que foi um acidente, ele enfiou o carro debaixo de uma carreta e deu perda total, então eu relaxo. Se ninguém disse que morreu, é por que vai ficar tudo bem. E fica. Eu reclamo por que meu namorado fala comigo com voz de sono, reclamo por que ele não me retorna na hora do almoço, reclamo por que não me mandou mensagem, reclamo por que ele dá risada das próprias piadas particulares que inventa com o meu nome e depois quero que ele esqueça tudo o que reclamei e pare de se desculpar. Por que ele fica se desculpando? Eu é que deveria agradecer todos os dias a paciência que esse homem tem de chegar cansado e ainda ouvir todas as besteiras do meu dia comentadas. Por que contar besteiras já é o que faço sempre, mas comentá-las é privilégio dele. Aí eu chamo a minha amiga para dormir aqui e, se ela não vem, fico pensando que resolveu me abandonar de vez, mas quando vem eu a deixo no computador e vou ligar para ele. E conto que passo na frente dos carros ao invés de ir pela passarela. Ele fica bravo e preocupado e eu sorrindo por dentro. É por que ele se importa, não é? Daí fico feliz e vou ouvir qualquer coisa. Coloco os fones de ouvido e começo a escrever no blog. Esqueço o que pretendia escutar e fico com os fones de ouvido mudos na orelha. É, acho que eu sou meio maluca mesmo. E hoje ainda faltei aula de biologia. Que Deus me proteja!
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Como eu quero
Estou preguiçosa hoje. Até de continuar a minha mudança tão profunda eu estou dando um tempo. Quero só alguns minutos parados no relógio para me jogar no sofá e descansar de mim. Não há nada agora que me conquiste além do não-fazer. Nada além do não-dizer. Indecifrável que sou, acordei achando que tudo pode esperar. Você que me abandone por que cansei também do seu sorriso. Mas isso só por dez segundos. Pronto, passou. Já quero você outra vez. É que ainda não mudei tudo o que tinha que crescer, então meu egoísmo é te privar do lado mais inconsequente e, talvez, mais divertido de mim. Tire sua bermuda, fique sério e do meu jeito. Tenho aprendido a ser bem melhor, mas ainda fico muda e sem tanta cara de mistério. Minha fala presa e meus rabiscos tão poucos são só embaraço perto da sua disposição em falar coisas que não sei dizer além do que escrevo. Hoje acordei com preguiça, mas hoje está acabando. É como dizem: Tudo na vida passa. Até uva passa.
"E não obedeceria porque gato não obedece. Às vezes, quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a instintiva humildade do cachorro, o gato não é humilde, traz viva a memória da sua liberdade sem coleira." - Lygia Fagunde Telles
Para quem queria o link sem ter que adicionar a comunidade. Beijos.
sábado, 24 de julho de 2010
Na menor medida
Hoje, deitada na cama depois do sono da tarde - que usei para recuperar o que se perdeu durante a noite. - pensei em você e me deu uma saudade. Senti tanta falta da época em que conversávamos sobre qualquer coisa e riamos à toa como se a vida dependesse apenas daquele segundo. Ainda lembro do seu sorriso antes disso tudo começar. Você tinha uma vida impressionante rasgando as veias e eu confesso que não soube conviver muito com essa garota com cara de medo que você se tornou. Seus olhos não soltam faíscas mais, sua risada não vira gargalhada presa na garganta e tudo seu é numa medida muito menor agora. Fico aqui me perguntando quem foi que mudou primeiro. Se fui eu que deixei de entender as nossas diferenças ou se foi você que ficou diferente demais. Hoje me imaginei indo embora sem sentir saudade de quem você é, mas meu peito apertou com o buraco que a pessoa que você foi deixou. A gente era a única pessoa para quem a outra podia correr, não era? Agora corremos para lados opostos como se a felicidade de uma repelisse a da outra. Não conseguimos mais dizer nada que não ofenda, que não magoe ou que não tenha tom de ofensa e mágoa por trás de um pedido simples. Não importa o quanto eu chore a nossa distância, já não acredito mais que você volta. Eu mesma me recuso a voltar para quem eu era naquele tempo, então achei que seria demais exigir isso de você. Só estou escrevendo isso por que, como eu disse, ainda me lembro do seu sorriso antes disso tudo começar. E sinto sua falta, minha irmã.
Em memória da minha irmã mais velha.