Sinto mãos delicadas em meus ombros. Mãos que ajeitam as cordas, mãos que cuidam de mim. Foram essas mãos que me fizeram o que sou e, por isso, sou imensamente grata.
Não chego a me lembrar de como parecia antes de tê-las me arrumando, me enfeitando, me tocando com leveza. Meus movimentos são perfeitos através do contato daquelas mãos suaves e abro a boca para agradecer, mas a voz que escuto não é a minha. Essa é a voz que acompanha as mãos. A cadência que sempre escuto quando abro a boca, no tom que eu amo.
Percebo os dedos me apertando, observo minhas pernas se dobrando e, lentamente, sou posta em meu lugar outra vez. Estou em casa, na minha caixa, lado a lado com todas as outras marionetes que ele guarda.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Suas Mãos
quinta-feira, 4 de março de 2010
Outra Amiga
Tenha consciência dos seus atos, muleque.
Somos diferentes, mas a sua indiferença é sufocante.
Estou com medo, rapaz.
Você vai embora e quem sabe se não volta mais?
Olhe nos meus olhos e só finja que se importa.
Eu mesma já sei que pra você é frieza, mas meu calor deveria derreter seu gelo.
Só sinto frio.
Estou tremendo, menino.
Me abrace como você prometeu que faria.
Aliás, você prometeu isso algum dia?
Ouvi palavras demais escondidas por trás das suas verdade não ditas.
Sou tudo misturado dentro disso.
Estou tão longe enquanto você está perto.
Estou tão perto de mandar tudo à casa da porra.
Que morra!
Morra esse amor, morra essa vontade de ter mais!
Que saia da minha frente você e seu quase-amor.
Cansei de metades.
Quero você inteiro ou não quero nada mais.
Sou insegura, sou indefesa, mas aprendi a combater meus medos.
Tenho medo de mim mesma quando penso em nós dois, então aprendi a me combater.
Não vou ser mais isso e, como não posso dizer "dane-se eu", então dane-se você!
Inspirado na história de Kerolz.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Fechaduras bem minhas
Eu comecei esse texto meio sem saber pra onde ir com as palavras confusas que preciso cuspir, mas cansei de ser forte por hoje. Aliás, cansei de ser forte por tempo indeterminado e esse texto é minha bandeira branca.
Não consigo mais fingir que sua risada parou de fazer eco no telefone mudo. Duas vezes na semana passada eu o tirei do gancho repetindo pra mim mesma que tinha esquecido pra quem ia ligar de última hora. Mentira minha, claro. Gosto de ficar imaginando que, entre um "tu" e outro, há você pensativo do outro lado.
Eu fico olhando a minha própria cama - enfeitada com o único cachorrinho solitário que você me deu - e me lembrando das suas promessas de vir me acordar qualquer dia só pra que eu tivesse a surpresa de ver seu rosto assim que abrisse os olhos. Então me sinto idiota, recrimino o pensamento e começo a alimentar a certeza de que você tinha uma senso de humor ridículo. Onde já se viu querer acordar alguém de surpresa? Ridículo.
Estou escrevendo esse texto pra abrir uma porta de memórias que tranquei no dia em que você me disse que não dava mais. Naquele dia eu só fiquei muda e sorri como que dizendo que já esperava por isso. Não foi um sorriso irônico em tom de acusação, eu realmente já esperava. Todo mundo tem sua temporada de flores, mas ela sempre acaba e quase nunca se tem uma explicação. Não gritei para que me mostrasse razões por que anestesiei dentro de mim a dor crônica depois da sua pontada agúda de verdade. Eu estava destruída, você se cansara. Mas quem disse que eu ia enlouquecer e espernear? Nem pensei em perguntar se havia outra pessoa - nunca quis saber. Não planejei esperar que você mudasse de idéia. Eu simplesmente sabia.
Você teria que, como o sol faz todos os dias, ir embora um dia, mas, diferente dele, você não voltaria. Eu sabia e me muni de coragem para enfrentar as perguntas de todos e os olhares de pena. Não queria que sentissem pena de mim, mas, de verdade, não me importava se sentissem. Só me importava com a porta que você fechou e eu tranquei.
Hoje parei de olhar pela fechadura e abri esse quarto outra vez. As memórias me invadiram então sentei para escrever. Falar em forma de rabisco sobre os beijos escondidos, as risadas nervosas, aquela vez em que eu falei besteira na frente da sua mãe e você ficou me enviando seu pensamento mais forte de "cala a boca, amor", os abraços apertados nos aeroportos, as madrugadas que passamos ao telefone e todos os dias que vimos amanhecer em meio a risadas contidas e bocejos leves.
Hoje eu abri aquela porta e estaquei. A força das lembranças me atingiu em cheio, mas me recusei a trnacar tudo outra vez. Percebi que ser forte não é fingir que não se importa e deixar o homem que ama ir embora como se fosse só mais uma primavera.
Agora talvez seja tarde demais pra nós dois, mas deixei suas palavras encerrarem o efeito da minha anestesia e ouvi o "não dá mais" pela primeira vez deixando que a escorresse dentro de mim toda a dor que represei.
Sentei em algum lugar, chorei em silêncio por uma ferida antiga e peguei esse caderno pra escrever sobre você.
Eu fui bastante forte, se quer saber, mas é como você me disse aquele dia do seu jeito contido: chega uma hora que não dá mais.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Passe Livre
Joguei meu ticket no primeiro lixo que encontrei na saída do cinema. Vi o melhor filme sobre alguém que poderia ter assistido em toda a minha vida, mas, depois que ele acabou, percebi que o ingresso não mais me serviria. Agora teria que andar com minhas próprias pernas pra o lado de dentro desse jardim desconhecido. Sem manuais, sem saber exatamente como faz, só de mãos dadas. Saindo do cinema, entrando no jardim. Deixo de assistir e começo a tocar. A música tocou. Nossa música de ritmo pouco planejado. Dois pra lá, dois pra cá no seu compasso. Abrimos, na multidão, espaço. Pra uma dança de dois que ninguém mais entende, que ninguém mais define... Deixei pra trás meu ticket.
Sinal Amarelo
Se libertar do medo pode ser perigoso, sabia? Não jogue fora a placa vermelha que grita perigo como se o precipício fosse só um pequeno declive. Decline! Volte atrás antes que seja tarde demais e todos os seus neurônios sejam superados pelos hormônios. Demônios, gritando na sua cabeça que o bom nem sempre é certo, mas o errado, em todo caso, não é ruim quando olhado de perto. Não se aproxime! Uma vez que você ciranda com os desejos puramente carnais... Ah, aí, como dizia Martha Medeiros, sua consciência passa a encontrar-se fora da área de cobertura. Fuja!
"A causa do sofrimento é a ânsia por coisas erradas, ou a ânsia por coisas certas da forma errada." - Buda
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Notas Pessoais
Minha risada faz ele ter vontade de rir.
Ele adora cachorros, odeia gatos. Gatos são bichos traçoeiros, você sabe.
O quarto dele é uma bagunça, mas só às vezes.
As comidas da mãe dele são as melhores e ele é parecido com ela. (não esquecer)
Ele sabe cozinhar, mas nãs faz feijão. Tem medo da panela de pressão.
Ele nunca amou ninguém como me ama.
O tênis dele tem que ter molas. São mais confortáveis, né?
Adora comida italiana, odeia comida japonesa. (lembrar que essa é diferente da chinesa)
Gosta de azul hoje, mas amanhã só Deus sabe.
Tem um rancor enorme pelo irmão, mas faz tudo que ele quer sem reclamar. (sem reclamar muito)
Ele fala de noite e eu confesso que isso me assusta, mas ele também me beija quando eu choro mesmo sem entender nada e eu acho que isso o assusta.
Ele nunca amou ninguém como me ama.
Fica bravo quando eu falo minhas bobagens influenciadas por pensamentos idiotas e depois diz que não tava bravo.
Ele fica bravo se eu digo que ele ficou bravo, então acho que ele nunca fica bravo. (combinado?)
Adora Ovo Maltine e é desastrado com a pipoca do cinema.
Comenta mulheres bonitas, mas se eu comento os homens ele manda eu me respeitar.
O MSN dele era só mais uma bobagem antes de poder falar comigo por lá. (obrigada)
A TIM nunca foi tão feliz antes da gente namorar.
Ele nunca amou ninguém como me ama.
Ele odeia refrigerante, mas toma comigo toda vez que a gente come junto.
Está acostumado com pedágios e me acha revolucionária quando eu falo que o IPVA devia pagar o conserto das estradas.
O Ipod dele parece um parque temático. Até black eu achei lá, mas não espalha. Ele não curte black.
Ele finge que não curte black por que, fala sério, todo mundo curte black!
A cachorra dele era mais cheirosa que ele.(impossível)
Ele nunca amou ninguém como me ama.
As pessoas são facilmente pegas nas perguntas capciosas dele. (medo)
Ele tem amigos. Poucos e bons. Bem diferente de mim que tenho muitos e marrom.
O trabalho dele é legal e a faculdade também, mas os dois enchem o saco depois de um tempo.
A pinta dele deixa ele menos sexy. (opinião dele)
O cabelo dele deixa ele mais sexy. (opinião minha)
Ah, e antes que eu me esqueça, uma última nota:
Ele nunca amou ninguém como me ama.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Resenhas Internas
É pau, é pedra, é o fim do caminho. É árvore, é montanha, é o começo da estrada. Uma rua a perder de vista, uma caminhada sem parar pra descansar, sem querer descansar, pra te alcançar, andar junto e nadar junto nesse mar de correnteza leve, pesada, remando em conjunto, compasso, no espaço de tempo mais longo que um mês pode ter. Um mês e alguns gramas, um ano e algumas semanas, uma bagagem de histórias e umas mancadas fora de hora. Descobrindo-se em bônus, além do apresentado de antemão... Lembrei agora de um certo fogão a gás, meu rapaz, um jogo parado no empate, o xadrez do cheque-mate, a carta mestra do baralho. Quer saber? Não te amo muito, eu te amo pra caralho.